"Ofereciam terrenos, prometiam estradas, escolas e Centros de Saúde... foi muito bom para centenas de famílias que viviam em pobreza extrema nas zona de montanha ou de costa. Mas quando o governo mudou, as sua políticas deixaram-nos ao abandono. Das 100 famílias que se instalaram no meu povoado inicialmente, apenas ficou uma."
"Aos poucos outras famílias se foram instalando e ocupando as "chacras" vazias, mas as condições sempre foram muito duras nesta zona. A estrada alcatroada tem menos de 10 anos e antes passavamos mais tempo a empurrar os carros na lama do que sentados durante as viagens. O fornecimento de electricidade falha muito e só melhorou depois de alcatroarem a estrada. Instalei paineis solares na minha casa e isso deu-nos algum conforto ao longo dos anos."
"A convivência com as comunidades nativas nem sempre é fácil. Eles não têm o hábito de semear e cultivar a terra ou criar animais e entram com frequência nos nossos terrenos para caçar. A sua população está a aumentar muito e já resta pouca caça selvagem nos territórios circudantes. Antes bastava sair de casa e no espaço de 1h encontravam presa e traziam para casa. Hoje em dia por vezes têm de caminhar dias até encontrar caça."
"Os Awajún não tinham o hábito de se juntar em comunidades e sempre viveram de forma muito independente. O governo peruano é que lhes está a impor que se organizem em povoados, definindo limites territoriais, incentivando com dinheiro e animais para criação. Por isso os seus números estão a aumentar tanto e os recursos naturais a desaparecer tão rapidamente. Em troca colocam os seus filhos na escola, aderem aos planos de vacinação... mas tudo se desvanece. O dinheiro e as criações de animais desaparecem e os hábitos não mudam. Penso que deveríamos fazer as coisas de outra maneira."
"As comunidades nativas são muito pobres, por vezes a única coisa que têm para comer é yuka e plátano. Já existem alguns awajún em cargos políticos e de responsabilidade a viver nas cidades e por vezes visitam as comunidades da selva. São sempre recebidos em festa, com muita música, comida e carne. Mas a realidade é outra... no dia-a-dia para terem um pouco de carne, é necessário que os caçadores estejam fora por muitos dias longe da sua família e por vezes não trazem nada."

"Eu considero que esta é também a minha terra, mesmo não tendo nascido cá. O meu filho vive e estuda numa cidade grande mas também sente carinho pela selva. Tenho pena que o trabalho do campo não lhe agrada muito. Quando vivíamos juntos, ele tinha de caminhar 3h todos os dias para ir à escola. Hoje está melhor, estuda Administração, alugou um quarto porque quer ser independente... espero que tenha um futuro melhor."
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