O meu país chora de dor e eu, a 9.000 Kms de distância, choro quando vejo as imagens e ouço os testemunhos de quem perdeu tudo o que tinha.
A minha primeira reacção foi de revolta. A má gestão florestal, a falta de limpeza das matas... ou no fim de contas a superioridade da Natureza sobre tudo e todos. Este problema ocorre todos os verões e não entendo porque não se sentam todos os responsáveis, nacionais e regionais, para implementar políticas que impeçam o país de arder todos os anos.
Mas dou por mim a pensar em outras coisas.
Há uns meses, também o Perú atravessou uma das suas piores crises humanitárias de sempre. As cheias em Piura foram devastadoras... e afectaram milhares de pessoas que já eram pobres e perderam tudo o que tinham. Lembro-me de pensar que enquanto o Perú chorava e se unia em solidariedade o resto do mundo seguia a sua vida normal. O mundo não pára.
As redes sociais em Portugal falavam da "Geringonça", sobre futebol ou de gatinhos... mas aqui todos os canais de TV e jornais noticiavam a calamidade e apelavam à união de todos.
Depois dos atentados e do incêndio em Londres, os meus amigos que lá vivem choraram, revoltaram-se e partilharam... e o resto do mundo continuou em frente.
Nunca vivi na Síria ou no Iraque, mas quando vejo as notícias sobre dezenas de mortes num atentado, pergunto como permitimos que estas coisas aconteçam. Eu sei que é natural sentirmos mais empatia quando a situação nos é próxima, no entanto a indiferença perante o sofrimento humano não pode ser o caminho. "Raios, não vêem que este mundo é de todos?".
"Longe da vista" não deveria significar "longe do coração".
Mesmo a 9.000kms, hoje em particular, que é dia do meu aniversário, vocês estão todos no meu coração.
Queres ajudar-me a permanecer no Perú? Porque preciso de ajuda.
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